sexta-feira, 24 de abril de 2015

Romantismo no Brasil Definição

romantismo foi um movimento artístico, político e filosófico surgido nas últimas décadas do século XVIII na Europa que perdurou por grande parte do século XIX. Caraterizou-se como uma visão de mundo contrária ao racionalismo e ao iluminismo e buscou um nacionalismo que viria a consolidar os estados nacionais na Europa.
O termo romântico refere-se ao movimento estético, ou seja, à tendência idealista ou poética de alguém que carece de sentido objetivo.
O romantismo é a arte do sonho e fantasia. Valoriza as forças criativas do indivíduo e da imaginação popular. Opõe-se à arte equilibrada dos clássicos e baseia-se na inspiração fugaz dos momentos fortes da vida subjetiva: na fé, no sonho, na paixão, na intuição, na saudade, no sentimento da natureza e na força das lendas nacionais

Romantismo no Brasil teve como marco a publicação do livro de poemas "Suspiros poéticos e saudades", de Domingos José Gonçalves de Magalhães, em 1836, e durou 45 anos. Nos primórdios dessa fase literária, 1833, um grupo de jovens estudantes brasileiros em Paris, sob a orientação de Gonçalves Magalhães e de Manuel de Araújo Porto Alegre, inicia um processo de renovação das letras, influenciados por Almeida Garrett e pela leitura dos românticos franceses. Em 1836, ainda em Paris o mesmo grupo de brasileiros funda a Revista Brasiliense de Ciências, Letras e Artes, cujos dois primeiros números traziam como epígrafe: "Tudo pelo Brasil e para o Brasil". Ainda no mesmo ano, no Brasil - momento histórico em que ocorre o Romantismo, 14 anos após a sua Independência - esse movimento é visível pela valorização do nacionalismo e da liberdade, sentimentos que se ajustavam ao espírito de um país que acabava de se tornar uma nação rompendo com o domínio colonial.

O período histórico era marcado por um sentimento nacionalista, em especial pelo fato marcante que foi a Independência, em 1822. Encontramos, pois, elementos que caraterizam o período, presentes nas obras dos autores românticos. É o exemplo da exaltação da Pátria feita por Gonçalves Dias, e do clima nostálgico presente nas poesias de Álvares de Azevedo  e Fagundes Varela, sem falar no engajamento nas causas sociais, presente fortemente na obra de Castro Alves, o qual abordou temas polêmicos como a escravidão.
A produção Romântica foi rica e vasta, tanto em outros países, quanto aqui, tanto em prosa, quanto em versos.
Na poesia, a obra que marca o início das produções românticas é “Suspiros Poéticos e Saudades”, de Gonçalves de Magalhães. A poesia romântica é dividida em 3 gerações:
Primeira Geração: Nacionalismo  - influenciada pela Independência do Brasil, a poesia buscava a identificação do país com suas raízes históricas, linguísticas e culturais. O desejo era o de construir uma arte brasileira, livre da influência de Portugal, e o sentimento era de nacionalidade, resgatando elementos da história do país. Foi fortemente marcada pelo indianismo e trazia à toda elementos da natureza (flora e fauna) brasileiros. O índio era exaltado como herói, pois representava o povo brasileiro, e o Brasil em sua essência.
Segunda Geração: Mal do Século - Neste período, que se iniciou por volta de 1850, a poesia vinha de encontro às ideias e temáticas da geração anterior: o eu-lírico volta-se mais para si e afasta-se da realidade social à sua volta. Traz em si o pessimismo e o apego aos vícios. Os sentimentos são exagerados e aparecem de forma idealizada na poesia. Além disso, elementos como a noite, a melancolia, o sofrimento, a morbidez e o medo do amor são recorrentes em seus textos poéticos. O eu-lírico vivem em meio solidão, aos devaneios e às idealizações.
Terceira Geração: Condoreirismo - a última geração da poesia romântica se inspira em Victor Hugo, e traz um foco político e social. Na época, ideias abolicionistas e republicanas vinham à tona, e junto com elas o desejo de se libertar do Império. É a fase que prenuncia o Realismo, que viria em seguida, tanto é que tem como foco a realidade social, a crítica à sociedade, a poesia liberal, enfim, era o final do movimento romântico no Brasil. O condoreirismo se refere à figura do condor, uma ave que tinha voo alto, assim como os poetas românticos faziam em busca de defender seus ideais libertários.

domingo, 19 de abril de 2015

Primeira Geração Romântica (principais autores) Gonçalves Dias

Gonçalves Dias:

Maranhense e filho de português com cafusa (mestiça de negro e índio), Gonçalves Dias dizia ser descendente das três raças que formaram a etnia brasileira. Tal origem parece ter influenciado na construção de uma obra que buscou conquistar uma identidade estritamente brasileira. Não é a toa que Gonçalves Dias é um dos maiores expoentes de nossa literatura indianista, já que com ele, segundo Alfredo Bosi, “o mito do bom selvagem, constante desde os árcades, acabou por fazer-se verdade artística” (História concisa da literatura brasileira, 2006, p. 105). É de Gonçalves Dias também a iniciativa de escrever, após pesquisas na Amazônia, um Dicionário da Língua Tupi (1858).

Além da poesia indianista, o poeta versou sobre vários outros temas, produzindo poesia religiosa, poesia saudosista, poesia egótica e lirismo amoroso; multiplicidade que comprova a riqueza temática de sua obra. Sua simpatia pelo índio deriva, além do fato de ter descendência indígena, da sua convivência com os indígenas durante parte de sua infância no Maranhão. É importante ressaltar, ainda, que, ao contrário de Alencar que concebia o colonizador com certa simpatia, Gonçalves Dias abominava-o, vendo como símbolo do terror e da exploração indígena.

No que se refere à sua literatura indianista, Gonçalves difere-se potencialmente do grupo de Magalhães ao conferir à sua poesia ritmo e cadência ágeis, com versos breves e bem construídos, em contraposição aos versos mais prosaicos e menos trabalhados de Magalhães. Reparem na força do ritmo nestes versos retirados do poema “I-Juca Pirama” (que significa “aquele que vai morrer”), do poeta maranhense:

“Meu canto de morte,
Guerreiros, ouvi:
Sou filho das selvas,
Nas selvas cresci;
Guerreiros, descendo
Da tribo tupi.

Da tribo pujante,
Que agora anda errante
Por fado inconstante,
Guerreiros, nasci;
Sou bravo, sou forte,
Sou filho do Norte;
Meu canto de morte,
Guerreiros, ouvi.”


“I-Juca Pirama”, que narra a história do índio Tupi que é aprisionado pelos inimigos timbiras, é considerado o poema épico indianista mais perfeito da literatura brasileira.

A expressão do ritmo, em Gonçalves Dias, é uma das características mais marcantes de sua poesia. O poeta soube empregar sabiamente todos os metros poéticos existentes na língua portuguesa. Em A Tempestade temos um inigualável exemplo deste virtuosismo, pois nesta composição o poeta faz uso desde o verso dissílabo ao extenso alexandrino, intercalando versos curtos e longos como se reproduzisse no ritmo o aumentar e diminuir da tempestade. Abaixo, selecionamos alguns trechos desta obra, na qual está facilmente identificada a relação interdependente entre a forma e o conteúdo: 


Um raio
Fulgura
No espaço 

Esparso,
De luz;
E trêmulo
E puro
Se aviva,
S’esquiva
Rutila,
Seduz!


[...]

Um ponto aparece,
Que o dia entristece,
O céu, onde cresce,
De negro a tingir;
Oh! vede a procela
Infrene, mas bela,
No ar s’encapela
Já pronta a rugir!
Não solta a voz canora
No bosque o vate alado,
Que um canto d’inspirado
Tem sempre a cada aurora;
É mudo quanto habita
Da terra n’amplidão.
A coma então luzente
Se agita do arvoredo,
E o vate um canto a medo
Desfere lentamente,
Sentindo opresso o peito
De tanta inspiração.


[...]

Um som longínquo cavernoso e ouco
Rouqueja, e n’amplidão do espaço morre;
Eis outro inda mais perto, inda mais rouco,
Que alpestres cimos mais veloz percorre,
Troveja, estoura, atroa; e dentro em pouco
Do Norte ao Sul, — dum ponto a outro corre:
Devorador incêndio alastra os ares,
Enquanto a noite pesa sobre os mares.


[...]

Cresce a chuva, os rios crescem,
Pobres regatos s’empolam,
E nas turvas ondas rolam
Grossos troncos a boiar!
O córrego, qu’inda há pouco
No torrado leito ardia,
É já torrente bravia,
Que da praia arreda o mar.


[...]

Nas águas pousa;
E a base viva
De luz esquiva,
E a curva altiva
Sublima ao céu;
Inda outro arqueia,
Mais desbotado,
Quase apagado,
Como embotado  

De tênue véu.

[...]

A folha
Luzente
Do orvalho
Nitente
A gota
Retrai:
Vacila,
Palpita;
Mais grossa
Hesita,
E treme
E cai.


Na poesia lírico-amorosa o tema do amor é tratado de maneira pessimista e trágica, tendo como motivo principal o “amor não correspondido”. Tal visão é analisada por parte da crítica como decorrente de uma frustração amorosa pessoal do poeta. O poeta teve seu pedido de casamento negado pelo pai de Ana Amélia por motivos de preconceito com relação à sua cor e à sua posição social. É neste segmento de sua poesia que encontramos alguns lugares-comuns do romantismo, tais como pessimismo, individualismo, sentimentalismo, insatisfação. Entre as poesias de sua lírica amorosa destacamos “Se se Morre de Amor”, “O Vate”, “Lira Quebrada” e “A Minha Musa”.

A poesia saudosista de Gonçalves Dias é marcada pela contemplação da natureza como manifestação divina e como confidente das angústias, saudades e solidão do poeta. Exemplo clássico desta poesia é a famosa “Canção do Exílio”.

Primeira Geração Romântica (principais autores) Gonçalves de Magalhães

Gonçalves de Magalhães:

Gonçalves de Magalhães é considerado o introdutor do romantismo no Brasil, sendo o responsável pela nossa primeira publicação romântica: Suspiros poéticos e saudades (1836). Seu livro e data de publicação foram escolhidos pela história da literatura como marco inicial do movimento romântico brasileiro.

Em Paris, Gonçalves de Magalhães fundou, juntamente com Porto Alegre, Sales Torres e Pereira da Silva, a Niterói, revista brasiliense, também em 1836. Nesta revista, Magalhães provou sistematicamente os ideais do novo movimento e o repúdio aos modelos clássicos, sobretudo o referente à mitologia pagã.

Uma das coisas vinculadas pela revista foi o ensaio redigido por Gonçalves de Magalhães “Sobre a História da Literatura do Brasil”, espelho da consciência crítica do grupo compilador da Niterói, que trata de uma retomada com algumas ampliações de toda a nossa história cultural descrita por alguns escritores estrangeiros.

O prólogo de Suspiros Poéticos e Saudades é considerado o primeiro manifesto teórico do nosso Romantismo. Reparem no nacionalismo, ideal pátrio e religiosidade expressa nas suas últimas palavras: “Vai [livro]; nós te enviamos, cheio de amor pela Pátria, de entusiasmo por tudo o que é grande, e de esperanças em Deus, e no futuro.

Porém, Magalhães foi apelidado como “O Romântico Arrependido”, pois ainda que teorizasse como romântico, continuava escrevendo com influência da cartilha clássica.

OBRAS
Teatro   

 Antonio José ou O Poeta e a Inquisição (1838)
Olgiato (1839)


Poema épico    

Confederação dos Tamoios (1856).

*Esta publicação foi motivo de polêmica com José de Alencar, que contestou a validade de uma forma já ultrapassada, bem como o paradoxo que a obra de Magalhães instaura ao defender tanto o índio com o catequizador, dubiedade não permitida pela estrutura épica.


Poesia Lírica:   

Suspiros Poéticos e Saudades (1836)


Outros                     

Os mistérios (1857)
Fatos do Espírito Humano, tratado filosófico (1858)
Urânia, poesias (1862)
Cânticos fúnebres, poesias (1864)
A alma e o cérebro, ensaios (1876)
Comentários e pensamentos (1880)

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